Aeroportos da Grande Curitiba são peças-chave na corrida dos transplantes de órgãos

Por Marylia Abreu • • 3 min de leitura

Dois aeroportos da Grande Curitiba desempenham papel fundamental na logística de transplantes de órgãos no Paraná: o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, e o Aeroporto de Bacacheri, em Curitiba. Ambos são administrados pela Asur Brasil e integram a rede do Sistema Estadual e do Sistema Nacional de Transplantes, em conjunto com equipes médicas e a Casa Militar do Paraná.

Quando um órgão fica disponível para doação, começa uma corrida contra o tempo — e a aviação é uma peça essencial dessa cadeia, que precisa funcionar com rapidez e precisão entre a captação do órgão e a chegada ao hospital transplantador.

Os números mostram a dimensão da operação. Em 2025, o Bacacheri recebeu 116 pousos trazendo órgãos. Até 11 de setembro deste ano, já foram 94 — o equivalente a 81% de todo o volume do ano passado. Mantido esse ritmo, a projeção é de cerca de 135 pousos até o fim de 2026, um crescimento de aproximadamente 16% sobre 2025.

Já o Afonso Pena registrou 10 pousos com órgãos em 2025 e sete até 11 de setembro deste ano, somados a dezenas de transportes feitos diariamente por companhias aéreas como Azul, Gol e Latam, que também integram essa logística. Juntos, os dois aeroportos somam 101 pousos com órgãos em 2026, contra 126 em todo o ano anterior.

Diferente do Afonso Pena, o Bacacheri não tem voos comerciais regulares — é dedicado à aviação geral, e sua localização próxima ao centro de Curitiba reforça sua importância em operações especiais. É lá que funciona a Divisão de Transporte Aéreo da Casa Militar do Paraná, responsável por missões de captação e transporte de órgãos e equipes médicas. Mesmo com funcionamento regular só até as 22h, o aeródromo pode ser aberto durante a madrugada especificamente para esse tipo de missão, já que a estrutura precisa estar pronta a qualquer momento.

O gerente do aeroporto, Eduardo Schein, explica que o transporte de órgãos segue uma janela de tempo rígida, o que exige uma operação diferente de um voo convencional — e reforça que cada minuto pode ser decisivo para a vida de um paciente. Essas missões, inclusive, têm prioridade operacional nos 17 aeroportos administrados pela Asur Brasil, incluindo os dois da capital paranaense.

A estrutura logística ganha ainda mais peso porque o Paraná é hoje líder nacional em doadores de órgãos por milhão de habitantes: foram 42,3 doadores por milhão em 2024, mais do que o dobro da média nacional, de 19,2. Em 2025, o estado realizou 2.255 transplantes de órgãos e tecidos, entre eles 460 de rim, 293 de fígado, 31 de coração, 1.066 de córnea e 405 de medula.

Para além das pistas, o Afonso Pena também virou palco de conscientização: entre 21 de setembro e 21 de outubro, o terminal recebe, em parceria com o Hospital Angelina Caron, a exposição “Histórias de Transplantes”, com 5 mil tsurus de origami representando as mais de 5 mil pessoas que aguardam por um órgão no Paraná. A data marca o mês do Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro.

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